quarta-feira, 13 de setembro de 2017


Sou mulher

Ivone Boechat

Sou mulher,
com as aflições e a inspiração do poeta,
o esplendor e a serenidade das mães!

Sou uma canção de ninar,
experimentadora dos sabores do tempo,
estrela da constelação familiar!

Sou letra e música da canção
do mais puro sentimento
que a mulher é capaz de cultivar!

Sou feita síntese do segredo de amar,
tenho fases minguante e cheia,

assim como o luar!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017


Amor á Pátria

Ivone Boechat

Os estudantes estão ouvindo na Escola, desde as primeiras séries, "que tudo está errado", "que não há solução pra nada" e "do jeito que as coisas caminham, a tendência é piorar sempre". Ora, se a esperança for destruída e o espírito de luta for totalmente desestimulado por esse tipo de “educação” de um número expressivo de “educadores”, se o “discurso pedagógico” estiver baseado no pessimismo, como sobreviverão emocionalmente as pessoas?
Nas piores épocas passadas, quando se alinhavavam as principais mudanças em todos os setores sociais, políticos, religiosos, os professores e pais ensinaram sobre a importância da fé, orientando e sublinhando que um belo futuro se faz com a luta e a participação de todos; o lema sempre foi: “a união faz a força”. Mas, será que a atual geração se esqueceu de educar os filhos? Foi isso? O sentimento cívico era incentivado e a esperança, também. Na Escola  os hinos à Pátria eram cantados com a mão direita sobre o peito, com imenso entusiasmo. Ensinava-se a amar a Pátria. Muitos ainda educam assim, felizmente!
A juventude está atônita á procura de valores que respondam às ansiedades da atualidade. Há uma política pública e privada de vida, muito mal estruturada, porque só se dá realce às coisas negativas. Se a mentira estiver de sapato alto, com batom da marca “boato”, espalhando o pó de mico da desconfiança pra todo lado, é evidente que o desânimo vai se instalar e pode corroer as expectativas de luta das pessoas, de qualquer idade.
Imerso nas comunicações e nas contaminações das poeiras abomináveis desse mundo armado até às estrelas, há que se ensinar, sim, a esperança. A educação dada pelo pessimista não pode invadir o território do sonho infantil com idéias apocalípticas. Até parece que é também proibido ser criança! Pelo menos que lhe dêem o direito de sonhar com o futuro. Tempos melhores virão!
Oxalá que se possa trabalhar com mais sensibilidade na educação, respeitando sonhos, para que os bebês que estão indo de fraldas para essas escolas, cheios de fantasias, de esperança,  desfrutem do mais sagrado privilégio do ser racional: possam crer que tudo vai melhorar! Se isto não acontecer, será muito sombria a  herança social produzida pelos meios de comunicação mal usados e pelos “educadores” mal resolvidos, ou seja, mal formados.



Publicado no livro Por uma Escola Humana, Ed. Freitas Bastos, RJ 1987

quinta-feira, 24 de agosto de 2017


  1.  
  2. Viver é competência
  3. Ivone Boechat
  4.  
  5. A vida é uma flor aberta,
  6. esperando alguém
  7. para extrair-lhe o mel,
  8. quando o vento da tristeza,
  9. das dores, das preocupações
  10. balança tudo, reforça você,
  11. sabe por que?
  12. A flor é eterna, o mel nunca se acaba,
  13. fica escondido numa taça de perfume
  14. e a gente faz que não vê;
  15. alegria, paz, harmonia, amor,
  16. por maior que seja a dose,
  17. nunca embriaga,
  18. dá plenitude, força e vontade 
  19. de sair plantando
  20. as flores da esperança, da bondade;
  21. assim, louvando a vida,
  22. é preciso amanhecer criança,
  23. cheia de ansiedades
  24. para beber uma taça desse mel,
  25. com aroma e sabor de oportunidades.
  26.  
  27. Publicado no meu livro AMANHECER 3ª.Ed Reproarte-RJ 2004

segunda-feira, 14 de agosto de 2017



Procura-me

       Ivone Boechat

Quando eu partir,
se deres falta de mim,
procura-me, nas flores do jardim,
escolhi assim
para enfeitar de perfumes e cores
as paixões.

Procura-me na madrugada,
quem sabe posso estar até calada,
falando de amores, nas canções?
Procura-me
nas estrelas e constelações,
é bem certo que eu esteja,
em qualquer universo,
cintilando emoções.

Procura-me nos encontros,
nas ternuras da vida,
estarei vibrando, em cada abraço,
serei até sentida:
nos olhos, nos beijos, na despedida,
fugindo das solidões.


Amanhecer 1ª.edição Unigranrio 1983 RJ

sábado, 5 de agosto de 2017


Dia dos pais

 Ivone Boechat

No desencontro diário, na corrida desenfreada pela sobrevivência, o que poderia substituir o calor do abraço amigo de um pai ?
Quando a humanidade se desorganiza, atônita na fumaça da poluição e na palidez de medos e violências, uma voz se firma no aconchego da prece: seu pai.
Você, papai, não está superado, quadrado, caduco ou fora de moda. Seu Autor o desenhou, detalhadamente, no figurino do Universo para o equilíbrio do Lar.
Pai, você tem sido atacado de todas as maneiras e tem sofrido os dissabores da ingratidão e do abandono. A tecnologia se especializou na guerra contra a família e, muitas vezes, você lutou, quase sozinho, porém os séculos não apagaram seu discurso de amor.
Você ajoelhou-se, diariamente, e clamou por seus filhos. No exemplo, fortaleceu-se como homem correto e jamais se deixou abater nos apertos financeiros. Sempre estendeu a mão amiga nas horas tristes e mesmo não tendo muito para oferecer, deu tudo o que possui.
No seu Dia, receba o sincero reconhecimento por tantas horas de renúncia, de perdão, de afeto. Os filhos crescem para o mundo, todavia, ao seu lado, são crianças frágeis, sem juízo, peraltas. Mesmo discordando de suas idéias, na vaidade de conceitos “atualizados” e modernos, a última palavra é a sua.
Antigamente, quando pequenos, os meninos olhavam para cima para escutá-lo, e hoje, mais altos do que você, continuam a olhar para cima, porque o exemplo ficou muito acima deles.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017



Meu pai
     Ivone Boechat

Gosto de rever
a imagem forte do meu pai,
tremendo o assoalho
ao caminhar.
É doce me lembrar
como se temia
quando ele perdia
a abotoadura,
o guarda-chuva,
a chave de fenda!
Hoje é lenda
a figura enigmática,
a disciplina dura,
a rotina sistemática.
Pai não morre,
corre na frente
pra levantar o segredo do véu
e guardar pra gente
o lugar mais estrelado do céu.

Publicado no meu livro Amanhecer 3ª.edição Reproarte RJ 2004